segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Beijos são um tanto quanto vazios, vindos do nada.

Eu gosto do frio na  barriga, de toda a preparação, dos dois ali, sentados se olhando, sabendo que o toque morno dos lábios é inevitável, sabendo que o filme de todos os sorrisos que demos juntos vai passar diante dos nossos olhos e terá sequencia...com todos os sorrisos que ainda daremos depois de cada beijo que eu te der.
Eu gosto das flores, do perfume que elas deixarão em você quando você abraça-las ao receber, gosto de imaginar o toque macio das pétalas nas suas mãos, enquanto procura curiosa um bilhete, pra saber de quem elas vieram. Enquanto me perco no pensamento, sinto que eu queria ser essas flores, pra sentir o seu leve toque no meu rosto.
Essas flores não são a prova do meu amor, talvez nem um campo florido seja, essas flores são apenas um enfeite, pra mostrar que o meu amor poder ainda ser mais lindo, pode ainda te fazer sentir aquela leve tontura depois de cheirar as flores,  e que torne constante o sorriso leve que eu espero que você dê depois de ler essa carta.

Posso não entender nada sobre esse mundo.

Mas eu entendo o suficiente sobre mim, pra saber que eu quero aquele seu olhar de preguiça na cama, as nove da manhã de um sábado, me dando aquele bom dia de voz rouca, aquele café da manhã que preparei escondido, só pra te surpreender, aquela briga besta que vamos ter, que no meio do seu sermão, eu te beije...e ela acabe, os filmes com pipoca a noite, debaixo das cobertas, fazendo cada dobrinha dela nosso próprio mundo, sabendo que quando estamos juntos, o “lá fora” não existe.

Eu não sei viver romances fora dos contos de fada, quero sempre tudo perfeito.


Mas quero tudo perfeito com Você.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Se fazer de vítima todo mundo quer...(menos de bala perdida né?)

Se a pessoa demonstra ser fraca, frágil, aparece um bando de gente para paparicar, ajudar, proteger. Mas se a gente demonstra superar os problemas, os revezes da vida, as mesmas pessoas que protegem os supostos frágeis, vem direto no seu ouvido dizer: - Ahhh você é forte, já superou tanta coisa, vai superar isso também! Geralmente pessoas frágeis são GRANDES MANIPULADORES. Sim isso foi um grito! Fracos de verdade são poucos e quem realmente é fraco, normalmente tenta esconder isso. Quem faz propaganda de fragilidade, quem abre o bocão para reclamar de qualquer coisa, quem chora e se descabela, são mesmo os grandes manipuladores. De fracos não tem absolutamente nada! Querem vida mansa, gente para colocar a mão na massa por eles e paparico, muito paparico, estão sempre no controle de tudo. Acho que daí vem meu ódio por gente mimada! Os mimados normalmente tem boa autoestima e preguiça de viver, se acomodaram na posição de coitadinhos para que os outros resolvam seus problemas. Afinal estão acostumados assim!
No mundo você é o que aparenta. Se aparenta ser fraca, vai encontrar gente para te ajudar, te paparicar. Se aparenta ser forte, vai encontrar quem queira montar nas suas costas para descansar as pernas. É assim que o mundo funciona
.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Sob o céu de Abril


Com a doçura
das coisas mais simples
(e mais frágeis)

descobri hoje
que atrás dos teus ombros

escurece toda a paisagem.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Aérea


Há coisas
que calam.

Teu olhar, por exemplo.

Ao encontro dele,
brincar de ser nuvem

(leve de silêncio);

esperar tua imaginação
me dar forma
.

(ins) Pire

Só deseja um amor saudável, quem já viveu uma paixão dilacerante. Porque a paixão corroía tudo por dentro até tirar o fôlego, mas até a dor parecia bonita: aquele único instante de felicidade com o Outro compensava os trezentos outros de infelicidade. Só deseja ter um dia tranquilo, sossegado, quem tem a intensidade à flor da pele, quem acorda suspirando a vida, devorando o dia, se lambuzando de tudo sem conseguir tocar nas coisas com a ponta dos dedos. Só deseja constantemente a companhia das palavras quem escreve. Para estas, o silêncio nunca é mudo, é sempre uma possibilidade. Só consegue vislumbrar a paz quem se investiga, quem tem Consciência do que deseja e pode ou não obter, quem aprendeu a lidar com o imediatismo.
 A escrita ensina a esperar, a escutar a letra da música e depois a melodia, juntas e separadas. A escutar a história do Outro sem fazer intervenções antes da conclusão. A compreender que os espertinhos são aqueles que sempre vão terminar levando uma rasteira da própria ingenuidade, porque perderam a inocência. Só consegue acordar para a vida, quem viveu solitário e insone dentro de uma noite interminável e caminhou sonolento pelo resto do dia, quem perdeu o sol. Só consegue apreciar a nudez, quem não é vulgar. Quem percebe com naturalidade que um corpo é como uma árvore, que o seu ambiente é extensão do meio ambiente e que, juntos, ambos são um ambiente inteiro. Só julga acidamente os Outros o tempo todo quem é recalcado. Quem se aprisionou na ideia do que é ridículo e não consegue suportar um ser autêntico.  Só consegue ser irônico, quem é inteligente. Só consegue ser doce, quem já foi ferido e curado pela espiritualidade.
Só consegue o que quer os que têm desejos justos. E acreditam.

domingo, 31 de março de 2013

Sobre as coisas que não se podem explicar


Te olhei. Não bastou o virar do pescoço para a repetição daquela cena. Precisava ao menos te dizer algo.
Mas não disse, congelei as cordas vocais como quem congela o coração ao se apaixonar a primeira vista, se é que isso existe de verdade.Pude sentir teu cheiro na minha roupa, como quem dá uma abraço demorado. Mas a minha presença era imperceptível, seu perfume misturado no meu me levava a lugares que eu pensava ja ter deixado pra trás...lugares que deixei o tempo enterrar, lugares que nenhuma arqueologia jamais poderá encontrar...lugares meus, seus e de mais ninguém. Diziam que talvez nunca me dirigisse a palavra. 
Era da sua personalidade, de sua praxi. Um sutil boa tarde, era o que me cabia. E assim se repetia esporadicamente. Não queria apenas essas palavras de sua boca, queria mais. Queria que dissesse ao menos o meu nome. Queria sentir sua barba encostando na minha pele, ainda maquiada. O barulho de seus lábios, ainda que fosse na minha bochecha. Eu conseguiria. Um simples olhar, de canto de olho, com um sorriso, mesmo que sarcástico, mas um sorriso, eu aceitaria.
Um desvio de atenção na minha direção, qualquer coisa que me faça sentir presente...que me faça sentir sua em uma porção indivisível de tempo, de tão pequena que foi. Lentamente, nas vezes que te via, jogava o cabelo no ombro, numa tentativa de te prender. Minhas roupas, meu perfume, meus lábios, mãos e pernas me levavam até você num magnetismo incompreensível....mas meu juízo me acorrentava nas paredes, me dizendo não....Teus defeitos me atraiam mais, e as qualidades eu tinha ânsia em descobrir. Minha vontade de te deixar escrever suas conquistas em mim era mais forte do que tudo que eu jamais provara. Decidi te envolver, joguei meu laço, queria você na minha teia, para te devorar lentamente.


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Sobre a lei seca


Desde que te conheci,

não adianta mais esconder
minha vodca, meu uísque,

nem deixar
toda minha cachaça em casa:

só viver
já me embriaga.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Traquitana


Reviro minha memória para te ver sorrir



Alguns dizem que a morte é o fim de tudo. Talvez de todo sofrimento, mas também de toda alegria. Se há algo depois dela, disso não sabemos,mas teremos a oportunidade de um dia saber.


Mas e as lembranças mortas?


Aquelas que um dia morreram, aquelas que foram brutalmente assassinadas, ou até mesmo as que por si só se suicidaram? Elas ressucitam?
A resposta é que lembranças não morrem, apenas adormecem. Estão ali, trancadas no nosso castelo particular, tão lindas e cheias de doçura, tão nossas e tão esquecidas... Elas só esperam o dia em que alguém as arrebate em um cavalo branco.


E foi assim.
Talvez não em um cavalo branco, e talvez nem tenha entrado em meu castelo, mas só teu perfume tenha despertado minhas lembranças, tua voz, teu jeito. Não precisa adentrar no meu profundo, nem me arrebatar pra longe, tem coisas que são melhor adormecidas.


Volta e meia você vem assombrar minha torre, meus sentimentos. Ainda que anestesiada eu sinto sua ameaça. Quantos anos mais será assim? 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Pressuposto




As vezes fico me perguntando...
E se...? Infelizmente a questão é regresso ad infinitum, tentaremos sempre chegar a alguma conclusão, mesmo sabendo que a mesma é impossível. É questionar aquilo que que não se discute. É vão.

O jeito é pressupor uma vida e tentar traçar a felicidade a partir daí. O que vem antes, alguma correnteza já fez questão de encontrar e levar pra longe, pra mares e oceanos. O que importa é daqui pra frente, a bagagem das dúvidas sempre irão existir, sempre vai cansar os ombros de quem as carrega. Vai machucar, vai sangrar e vai deixar cicatrizes que nos mostrarão que é o preço que se paga.

Só há uma maneira de viver...e é vivendo. Admitir suas escolhas, e seguir um caminho não é e nunca vai ser fácil. A bifurcação no meio da estrada vai fazer a sua mente se retorcer e perder noites a fio, pensando na melhor decisão, e por mais certa que ela seja, sempre vai parecer a opção errada.


"O caminho mais fácil nem sempre é melhor que o da dor"


terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O medo e a tempestade

O medo é como a tempestade que faz a gente ficar dentro de casa esperando passar. Ficamos alí sentado aguardando. Você escuta promessas de que um dia essa chuva vai parar e que vai poder sair sem se molhar.

Com o medo, você sente segurança, mas é cobrado um preço alto que é a sua liberdade. O medo faz cafuné para que se sinta protegido, mas não te livra de nenhum pesadelo. Ele conta histórias de heróis que já tentaram sair da casa, mas que foram consumidos pelos raios, só para te impressionar como uma criança que escuta algum conto de fadas. Vai também lembrar você das vezes que tentou sair e que voltou encharcado, triste, ferido e frustrado, prometendo que nunca mais tentaria sair da casa. Você olha da janela do seu quarto e consegue ver bem no final da tempestade alguma coisa parecida com crianças da sua idade brincando felizes, mas fecha rapidamente a cortina para que o medo não lhe pegue admirando essas coisas.
Você é prisioneiro dele e o mais interessante é que nada na casa está trancado, nem a porta para sair, só que você se acomoda com a segurança do local.

Isso tudo até o dia em que resolve ser rebelde. Veste a capa, põe as galochas e parte em direção à tempestade. Começa a andar olhando para o chão, pois os ventos são muito fortes e você mal consegue ver 3 metros a sua frente. As árvores formam arcos e as folhas vão sendo arrancadas violentamente. De súbito, começa a vir tudo o que ouviu do medo antes de ir dormir. Pensa em voltar e dá até alguns passos para tráz, mas não! Desta vez NÃO. Está decidido agora em ir brincar com as outras crianças. O velho medo começa a gritar coisas terríveis lá da porta para que você volte para ele. O barulho que o vento faz é assustador, mesmo assim você não para. Os pingos fortes de chuva já se misturaram com as lágrimas do rosto. É tarde demais para voltar. Lembrou dos céus e pediu por Deus, mas parece que ele te mandou mais raios.
Pronto! Chegou ao seu limite. Aperta os olhos com força. Tudo que o medo contou para você estava de fato acontecendo. Começa a lembrar da vez em que estava na janela olhando as outras crianças de longe. Seu desejo era apenas aquele... liberdade. A capa de chuva se foi com o vento forte; vai também a esperança. Então você sente um calor na face e enxerga o sol. Seca o rosto das lágrimas e da chuva. Olha para trás e procura a tempestade, procura a casa, procura o medo. Percebe que foi tudo uma ilusão, que o medo era ilusão: uma ilusão que mexia com realidade, mas o máximo que podia fazer era assustar... era... mas agora você é livre. Vê agora que tudo o que tinha que fazer antes era encarar a tempestade, pois ela nunca iria parar sozinha. E então... sua vida começa agora. 

Cabe uma penteadeira, cabe minha loucura. (E que ela seja perdoada)

Que as superficialidades a flor da pele sejam esquecidas. Quero ser poço. Profunda.
Vejo-te e o ar preenche cada centímetro do meu pulmão, como um pincel que desliza sobre a tela e forma todo o azul do céu.
Tremores me sobrevêem. Sandices das quais nunca se passaram nessa grande incógnita que acopla o crânio. A fumaça da incerteza paira sobre minhas narinas. Tento aspirar e transformá-la em ações, mas talvez nem elas resolvam essa equação.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

What is Reality Anyway?

Uma incógnita. Variável. Errante. Ou então como já diria Shakespeare - "Costuma cair em meio ao vão". Talvez assim genericamente o descrevam: futuro.
Planos, acertos, erros e percas. Conquistas e frustações. Talvez isso acompanhe tudo o que há de vir.
É nessa ponte chamada presente que interligamos tudo o que um dia fizemos e possivelmente iremos fazer.

Queria ter eu, todas as respostas que movem o mundo.

Sei que não necessito, pois nessa lacuna que reserva o tempo para preenchermos como bem nos satisfaça, só cabe você e mais ninguém.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

É assim e sempre seja assim, que não se acabe nunca e não mude jamais.



Olha a gente aqui, sobrevivendo a mais um domingo. Contrariando a revista Nova que diz que nossos signos não combinam. Que diz que morar junto depois de pouco tempo de namoro não dá certo.
Estamos contrariando até sua mãe, que falou: ‘ Você é louco? Ela tem cara de quem não sabe nem fazer pipoca de microondas.’ E eu sei cozinhar, aprendi teus pratos preferidos, aprendi que em você aquele sorvete fica bem melhor de ser degustado, mas isso você não precisa contar pra sua mãe, ta?
Eu te olho andar pela casa, abrir a geladeira pra pensar na vida, com aquela calça surrada de elástico, aquela camiseta branca, amarrotada, velha e lembro-me de quando te conheci. Todo trabalhado no jeans, no estilo ‘arrumadinho’, mas me apaixonei pelo teu olhar, pela tua boca, pela tua voz. Ah... a tua voz.
Ando de camisetinha e calcinha pela casa toda, passo por você, você me dá carinhosamente um tapa na bunda, me chama de gostosa e eu com aquele sorriso te falo: é tudo seu.
Quem diria que um dia a gente ia dividir as contas? As responsabilidades? A cama? O banho? A pizza... é tão bom voltar pra casa e te encontrar, depois daquele dia extremamente foda, você ali, com aquele abraço que cabe o meu 1.63 mt [quase 1.64] direitinho. Suas mãos deslizam sobre os meus cabelos negros, você me conta do seu dia e adoro teu jeito de contar, alternando entre cansaço, stress e aqui, na nossa casa, é onde você pode  ser o menino que ainda quer colo, que ainda quer mimo, porque não te acho menos homem por isso, porque eu sei o quanto de homem tem dentro ai desse eterno olhar de moleque arteiro e safado.
Antes eu abria o guarda-roupa e só tinha calcinhas, maquiagens, minhas roupas e meus sapatos, hoje tem coisas suas misturadas com as minhas, seu sapato abraçado com minha sandália e minha blusinha de olho no seu boné.
Eu que comia só tranqueira, comecei comprar arroz e feijão, porque você me cuida, mas hoje, domingo à noite vamos nos render uma pizza, comendo sentados no chão do que chamamos de sala, assistindo uma coisa qualquer, dando risada, falando da segunda que vem vindo, falando da conta de luz que veio alta, ou da conta do telefone que ainda não veio...
E no meio disso tudo tem as brigas, teve aquele dia que você disse que ia embora... que eu dei de ombros, mas quando te vi virar as costas na direção da porta, me desesperei, chamei seu nome, você me olhou, nada falei, mas você viu lágrimas atrevidas saindo dos meus olhos, voltou, me abraçou e ficou. Na cama, depois de ter bagunçado os lençóis, em mais uma das nossas reconciliações, você me disse: ‘Eu nunca vou embora, porque quem ama, não vai.’ E eu te respondi: ‘ Eu nunca te deixaria ir, se você não ficasse, eu iria junto.’
Fui agora pegar dinheiro na sua carteira pra pagar a pizza e vi uma foto minha, aquela com a blusa vermelha, que você adora... e também meu bilhetinho escrito ‘Te cuida, amor meu.’
Agora chega de letras emotivas que a pizza chegou. E hoje você que escolheu, metade eu te amo, metade eu também. Bom apetite pra gente.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

(in) Quietude

Esse calar que destoa dentro de mim, me faz enxergar a quietude como um refúgio para tua ausência. 

Não me importa os desenrolar dos lábios e palavras desconexas que não sejam para pronunciar o seu nome.

Silêncio é tudo o que tenho.

No poupar das frases, poupo-me a saudade. Quem me dera ao menos uma vez falar-te e sequer deitar lágrimas sobre a minha face já triste pela sua partida.

Querer entender como tudo funciona, é não entender nada.

Eu que bem quis sair por aí desfilando toda a minha alegria para provar ao mundo que era feliz, hoje só quero me esconder do mundo ao teu lado – meu abrigo, porto seguro –.

Não espante se serei de poucos versos, eles tornam-se vazios sem o ritmo que teu corpo tem.

Enquanto o mundo gira cada vez mais veloz, espero tua volta, teu abraço, teu cheiro, teu carinho, como quem espera um cometa – bem sei que um dia virá, e que será o maior acontecimento já presenciado – certa de que toda a sua luz quebrará todo o silencio de minha espera.

Aquela cela fria, porão da alma.

Nos porões da minha alma, abstraio-me em riscos num chão de areia, e olho para a rachadura no teto úmido, que corta a parede de carne vermelha, feito navalha afiada. Uma cela, um sentimento, e alguns suspiros.

O riso tornou-se obsoleto, e as carícias que outrora pairavam nos jardins do meu coração, hoje se afugentam por detrás das velharias empoeiradas, como quem se esconde dos ladrões da noite. Ladrões de sentimentos, ladrões de paz, ladrões de gestos tímidos cheios de delicadeza.

A dor apodera-se do cômodo, expelindo para fora toda a razão contida. Estarei eu, sofrendo das conseqüências do amor?

O amor não trás conseqüências, somos nós mesmos, e como seres insignificantes demais para carregar o brioso sentimento, discutimos a ausência de fatos e damos por decreto, a resposta para todas as dores: amor. Sofremos com o término de uma ilusão, com a decepção, apenas. Mas nunca por amor. Boicotamos o mais lindo sentimento e queremos impunidade.
É quando olho novamente para o teto e revejo a rachadura, sei que por algum motivo encontra-se ali. Tipifico nela, minha solidão, que sozinha não chega.

Escrevo versos desconexos na areia, digo frases de efeito que se perde no vão dos móveis velhos, desgastados.

Amar não é sofrer, não é machucar-se, não é morrer.

....Algum dia hei de te reformar,
Coração.

Enlouquecendo com a certeza, não com a dúvida.

Foi pensando em como você se sentiu, que meu mundo não fez mais sentido. Não sem você.

Intenso, fugaz e distante.

Escolhi meus próprios caminhos. Trilhei meus erros. Se pudesse escolher, escolheria errar tudo novamente igual. Só assim você viria a mim, alternativa.

Todas as juras de amor contida nos olhos, todas as lágrimas esvaziadas na partida, e todo o sentimento ainda que confuso, mas verdadeiro.

Não sabendo viver sem você, fui tentar.
Busquei em outros afagos suas carícias peculiares, me entreguei tentando te esquecer mesmo sabendo que seria inevitável. O plano de vida com você, sendo usado de maneira equivocada. Planos são planos, são únicos, feitos sob medida.

Seu encaixe é para mim, e em mim.

Inútil outra pessoa.

Inútil tentar carreira, filhos, passeios, dividir alegrias e bobagens com outrem.


Humanos, tão insensíveis.
Foi assim que me senti, quando te deixei partir naquele dia. Minha cabeça não conseguia assimilar minha realidade.

E agora nós ?

Somos o sustento em raiz, e só nossa força motriz, faz-nos um do outro pelo resto da vida.

Força essa, que a cada dia se renova, numa fração de segundos quando te sinto.

E no completar de nossas almas, temos suportado os dias estranhos e o sombrio de nuvens passageiras, que passam em presságio de anúncio da vinda de novas flores ao nascer das auroras rotineiras.

Dias esses, que cessarão quando minha coragem te disser : - A tempestade passou, somos livres para dançar ao som dos pássaros.


Nosso amor foi escrito nas laudas do infinito, de lá só sairá : NUNCA.


"Um passo de cada vez
Não há necessidade de correr
É como aprender a voar, ou se apaixonar
Vai acontecer quando tiver que acontecer
Aí nós descobrimos por que
Um passo de cada vez."

Telepatia da Alma



Quis acreditar que seria você, ali.

A coberta que preenchia o lugar das suas mãos, fazia minha sonolência.

Uma voz, um tanto rouca devido a idade, cantava em meus ouvidos uma melodia da qual eu nunca havia escutado.
Era doce, num ritmo desconcertante para a minha pose.

Não era fruto imaginário, pois para algo estar em minha mente, primeiro precisaria estar nos arquivos profundos da memória. Das poucas vezes que ouvi um bolero, nenhuma delas foi surpreendente como tal supostamente cantado.

Seria você ? Seria sua alma que sentindo a saudade angustiante da minha, viria a mim numa música, me deixar num êxtase de alegria e perguntas?

As palavras de uma magnitude e profundidade, que descrevia tudo o que estava dentro de mim. Abriu-se a porta da sala secreta da alma, onde estavam todos os sentimentos. Mas a quem foi conferido o poder da chave?

Minha chave foi entregue a ti.

A chave que pulsa, a chave que chora, a chave que sangra. A chave que abre todas as portas de dentro do meu santuário. Coração.

Já não sei como não pensar em você. Isso me endoidece, me atormenta.

Não quero pensar que estou ouvindo vozes por não tê-lo ao meu lado. Mas quero pensar que esse é o meio que decidimos nos comunicar através do tempo e da distância : por almas.

"For my secret garden, a key.
A love to never be violated"

Cinco minutos


O Sol invadindo a janela vem tranquilo pela fresta entreaberta, por onde passa a brisa suave, adentra meu aposento e me faz sentir o calor ainda que pouco na pele.

O despertador me arranca de mais um encontro contigo. Abro os olhos e percebo que ao meu lado há um lugar vazio, mas é que ocupado pela sua ausência.
Agarro-me forte a meus braços, pois eles a ti pertencem, e assim espreguiço enquanto desejo te abraçar.
Penso como seria enfim acordar ao teu lado.

Seu sorriso ainda que sonolento, seus olhos ainda que cansados das nossas aventuras na noite ,e o calor dos corpos que se extendem a medida um do outro.
Seu cheiro no lençol, suas mãos que me acariciam o rosto e me dizem tudo sem dizer nada. Mãos suaves que entrelaçam meus cabelos, ainda que emaranhados da noite que passou.
Já não importa o que a boca diz, se os olhos se comunicam numa linguagem universal. Os olhos que se unificam num só pensamento, de almejar aquele instante por mais uma eternidade.

Ouvidos atentos a qualquer respiração tua. Coração num ritmo acelerado, compassado, dançando a música de nossas vidas.
Te tomo pela mão para mais um passo, enquanto você sutilmente me tira o roupão. Me tira a paz, e me faz acreditar que pescoços foram feitos para serem facilmente atraídos por barba, assim por fazer, de um jeito que sabemos que será interessante.

Começa a dança.
Me pega a cintura e fico completamente incapaz. Sou tua. Meus movimentos acompanham seus olhos, que não mais cansados, agora só deseja uma coisa.

Te faço carícias e beijos intermináveis te dou. Afinal, te quero para o meu tempo. Te quero para junto de mim, ao meu lado, todos os dias.

O chão do quarto é decorado com nossas peças que há muito tempo já se foram de nós. O querer é maior que a sanidade. Sabemos que somos um do outro, o destino já fez questão de nos mostrar.

Nossa pele quente, seu lábio úmido, me arrepia o dorso. Encaixados, como se fizessemos parte de um quebra cabeça de duas únicas peças.

De repente,não mais que de repente percebo que soneca de cinco minutos que seja, me remete a filmes em minha memória que me lembram que a vida é melhor quando se ama.

Amar, amar, amar e despertar. (ao seu lado)