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Olha a gente aqui, sobrevivendo a mais um domingo. Contrariando a revista Nova que diz que nossos signos não combinam. Que diz que morar junto depois de pouco tempo de namoro não dá certo.
Estamos contrariando até sua mãe, que falou: ‘ Você é louco? Ela tem cara de quem não sabe nem fazer pipoca de microondas.’ E eu sei cozinhar, aprendi teus pratos preferidos, aprendi que em você aquele sorvete fica bem melhor de ser degustado, mas isso você não precisa contar pra sua mãe, ta?
Eu te olho andar pela casa, abrir a geladeira pra pensar na vida, com aquela calça surrada de elástico, aquela camiseta branca, amarrotada, velha e lembro-me de quando te conheci. Todo trabalhado no jeans, no estilo ‘arrumadinho’, mas me apaixonei pelo teu olhar, pela tua boca, pela tua voz. Ah... a tua voz.
Ando de camisetinha e calcinha pela casa toda, passo por você, você me dá carinhosamente um tapa na bunda, me chama de gostosa e eu com aquele sorriso te falo: é tudo seu.
Quem diria que um dia a gente ia dividir as contas? As responsabilidades? A cama? O banho? A pizza... é tão bom voltar pra casa e te encontrar, depois daquele dia extremamente foda, você ali, com aquele abraço que cabe o meu 1.63 mt [quase 1.64] direitinho. Suas mãos deslizam sobre os meus cabelos negros, você me conta do seu dia e adoro teu jeito de contar, alternando entre cansaço, stress e aqui, na nossa casa, é onde você pode ser o menino que ainda quer colo, que ainda quer mimo, porque não te acho menos homem por isso, porque eu sei o quanto de homem tem dentro ai desse eterno olhar de moleque arteiro e safado.
Antes eu abria o guarda-roupa e só tinha calcinhas, maquiagens, minhas roupas e meus sapatos, hoje tem coisas suas misturadas com as minhas, seu sapato abraçado com minha sandália e minha blusinha de olho no seu boné.
Eu que comia só tranqueira, comecei comprar arroz e feijão, porque você me cuida, mas hoje, domingo à noite vamos nos render uma pizza, comendo sentados no chão do que chamamos de sala, assistindo uma coisa qualquer, dando risada, falando da segunda que vem vindo, falando da conta de luz que veio alta, ou da conta do telefone que ainda não veio...
E no meio disso tudo tem as brigas, teve aquele dia que você disse que ia embora... que eu dei de ombros, mas quando te vi virar as costas na direção da porta, me desesperei, chamei seu nome, você me olhou, nada falei, mas você viu lágrimas atrevidas saindo dos meus olhos, voltou, me abraçou e ficou. Na cama, depois de ter bagunçado os lençóis, em mais uma das nossas reconciliações, você me disse: ‘Eu nunca vou embora, porque quem ama, não vai.’ E eu te respondi: ‘ Eu nunca te deixaria ir, se você não ficasse, eu iria junto.’
Fui agora pegar dinheiro na sua carteira pra pagar a pizza e vi uma foto minha, aquela com a blusa vermelha, que você adora... e também meu bilhetinho escrito ‘Te cuida, amor meu.’
Agora chega de letras emotivas que a pizza chegou. E hoje você que escolheu, metade eu te amo, metade eu também. Bom apetite pra gente.

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