terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O medo e a tempestade

O medo é como a tempestade que faz a gente ficar dentro de casa esperando passar. Ficamos alí sentado aguardando. Você escuta promessas de que um dia essa chuva vai parar e que vai poder sair sem se molhar.

Com o medo, você sente segurança, mas é cobrado um preço alto que é a sua liberdade. O medo faz cafuné para que se sinta protegido, mas não te livra de nenhum pesadelo. Ele conta histórias de heróis que já tentaram sair da casa, mas que foram consumidos pelos raios, só para te impressionar como uma criança que escuta algum conto de fadas. Vai também lembrar você das vezes que tentou sair e que voltou encharcado, triste, ferido e frustrado, prometendo que nunca mais tentaria sair da casa. Você olha da janela do seu quarto e consegue ver bem no final da tempestade alguma coisa parecida com crianças da sua idade brincando felizes, mas fecha rapidamente a cortina para que o medo não lhe pegue admirando essas coisas.
Você é prisioneiro dele e o mais interessante é que nada na casa está trancado, nem a porta para sair, só que você se acomoda com a segurança do local.

Isso tudo até o dia em que resolve ser rebelde. Veste a capa, põe as galochas e parte em direção à tempestade. Começa a andar olhando para o chão, pois os ventos são muito fortes e você mal consegue ver 3 metros a sua frente. As árvores formam arcos e as folhas vão sendo arrancadas violentamente. De súbito, começa a vir tudo o que ouviu do medo antes de ir dormir. Pensa em voltar e dá até alguns passos para tráz, mas não! Desta vez NÃO. Está decidido agora em ir brincar com as outras crianças. O velho medo começa a gritar coisas terríveis lá da porta para que você volte para ele. O barulho que o vento faz é assustador, mesmo assim você não para. Os pingos fortes de chuva já se misturaram com as lágrimas do rosto. É tarde demais para voltar. Lembrou dos céus e pediu por Deus, mas parece que ele te mandou mais raios.
Pronto! Chegou ao seu limite. Aperta os olhos com força. Tudo que o medo contou para você estava de fato acontecendo. Começa a lembrar da vez em que estava na janela olhando as outras crianças de longe. Seu desejo era apenas aquele... liberdade. A capa de chuva se foi com o vento forte; vai também a esperança. Então você sente um calor na face e enxerga o sol. Seca o rosto das lágrimas e da chuva. Olha para trás e procura a tempestade, procura a casa, procura o medo. Percebe que foi tudo uma ilusão, que o medo era ilusão: uma ilusão que mexia com realidade, mas o máximo que podia fazer era assustar... era... mas agora você é livre. Vê agora que tudo o que tinha que fazer antes era encarar a tempestade, pois ela nunca iria parar sozinha. E então... sua vida começa agora. 

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